quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Presidente Estadual do PSDB nega que políticos do PSDB paulista recebiam propina

Deputado Duarte Nogueira


O presidente do Diretório Estadual do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), negou que o partido recebeu propina vinda de contratos públicos. "Não. Em absoluto. Nem sei quem era o presidente do partido na época, em 1997, mas com certeza, não (recebeu)", disse. Documentos da Polícia Federal (PF) obtidos pela reportagem mostram como funcionou o suposto esquema de pagamento de propina a integrantes do governo de São Paulo e à legenda (PSDB) pelo grupo francês Alstom.

"Eu, como presidente do partido, não tenho esse relatório. Se a Polícia Federal está fazendo um trabalho investigativo e, sendo o trabalho procedente, isso vai gerar um relatório para o corregedor-geral do Estado, Gustavo Ungaro", disse. "De posse da materialidade de fatos concretos, (o governo do Estado) deve tomar as medidas para defender o interesse do Estado e cobrar o ressarcimento de alguém que possa ter gerado prejuízos de forma ilícita ou inescrupulosa."

O criminalista Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do o ex-secretário de Energia e vereador Andrea Matarazzo, disse que "era humanamente impossível que Matarazzo tivesse ingerência administrativa de todas as empresas" citadas. Matarazzo foi acusado de corrupção passiva. A Alstom informou, em nota, que não foi informada da investigação. "Nesse contexto, a Alstom não comentará o artigo publicado", diz o texto. Os demais empresários e servidores públicos citados pela Polícia Federal no caso não foram localizados.

Como funciona o suposto esquema?


As fraudes teriam acontecido em licitações públicas para venda e manutenção de metrôs e trens metropolitanos durante os governos de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Segundo as denúncias publicadas pela revista IstoÉ, a Siemens subcontratava empresas no Brasil para pagar propinas a políticos e diretores de empresas públicas. Outra vertente do esquema usava contas no exterior, em paraísos fiscais.

Outra acusação é referente à suposta formação de cartel. As multinacionais combinavam entre si quem ganharia e quem perderia concorrências públicas em mais de 30 países, para conseguir forçar os preços a serem superfaturados. Esse esquema teria sido usado nos metrôs de São Paulo e Brasília.

O que dizem as empresas e políticos?


As empresas envolvidas já se manifestaram publicamente. A Siemens e a Mitsui afirmam que estão cooperando com as autoridades, e não pretendem se manifestar antes do fim das investigações.

A CAF, a Bombardier e a Alstom dizem que não estavam envolvidas com o governo de São Paulo no período que está sendo investigado.

O governador Geraldo Alckmin defendeu as gestões de seu partido, e disse que se for comprovado qualquer irregularidade, as empresas serão punidas e o Estado será indenizado.

Qual foi a repercussão do caso?


Quatro órgãos diferentes estariam envolvidos nas investigações: Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual de São Paulo e Polícia Federal.

As acusações tiveram repercussões políticas. O PSDB acusou o Cade, do governo federal, de não liberar dados sobre a investigação para o Ministério Público de São Paulo investigar. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o processo corre em sigilo, e pediu calma a todos os investigados, dizendo que "os nervos estão à flor da pele".

O PT se mobiliza no Senado e na Câmara dos Deputados para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigue as denúncias. O PSDB defende que as investigações fiquem restritas aos órgãos que já atuam no caso.

Como isso é visto no exterior?


Até agora, o caso não teve grande repercussão na imprensa alemã, apesar de ter sido noticiado por alguns grandes órgãos de imprensa, como o jornal Sueddeutsche Zeitung, de Munique.

Na Alemanha, a Siemens foi condenada em 2006 por pagamento de propina a autoridades no exterior e multada em mais de US$ 1,4 bilhão. O escândalo foi um dos maiores da história corporativa do país.

Algumas das investigações começaram no Brasil a partir da denúncia do pagamento de propinas a brasileiros feita à Justiça alemã em 2008 por um funcionário da Siemens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...