sexta-feira, 13 de setembro de 2013

EUA dizem a Brasil que espionagem foi distorcida



O ministro de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, se reuniu na noite desta quarta-feira com a chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Susan Rice, para discutir as atividades de espionagem americana no Brasil. Figueiredo não falou com a imprensa brasileira. Rice, por meio de nota, reconheceu que o amplo monitoramento das comunicações da presidente Dilma Rousseff e colaboradores próximos, além das trocas de e-mails de empresas como a Petrobras, criou tensões na relação bilateral. Mas disse que algumas das informações divulgadas distorcem o trabalho da Inteligência americana. As conversas continuam nesta quinta-feira.

O Brasil esperava uma resposta contundente dos EUA, mas a nota não indica que as conversas avançaram em relação ao encontro de Dilma com o presidente americano, Barack Obama, em São Petersburgo, na Rússia, durante a reunião de cúpula do G-20, semana passada. O Palácio do Planalto e o Itamaraty aguardam o posicionamento americano para decidir se Dilma mantém ou não a visita de Estado a Washington, marcada para 23 de outubro.

Rice prometeu trabalhar junto com as autoridades brasileiras para esclarecer pontos de dúvidas e ver no que os procedimentos podem ser melhorados. No entanto, repetiu o discurso de que Obama já determinou uma ampla revisão das atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA). O encontro na Casa Branca durou pouco mais de uma hora.

“Rice expressou ao chanceler Figueiredo que os EUA entendem que as recentes revelações na imprensa —algumas das quais que distorcem nossas atividades e algumas das quais que levantaram questões legitimas de nossos amigos e aliados sobre como essas potencialidades são empregadas — criaram tensões na forte relação bilateral que temos como o Brasil. Os EUA estão comprometidos a trabalhar com o Brasil para enfrentar essas preocupações, ao mesmo tempo em que continuamos a trabalhar juntos em uma agenda comum de iniciativas bilaterais, regionais e globais”, disse a nota.

Nos últimos dois meses, documentos vazados pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, divulgados pelo GLOBO e pelo “Fantástico”, apontaram intensa espionagem conduzida pela NSA no Brasil, desde os anos 1990.

O Brasil quer que o presidente americano, Barack Obama, encerre imediatamente a atividade da NSA, faça um relato completo dos objetos brasileiros de monitoramento e estabeleça critérios transparentes para a espionagem, atrelados a ameaças terroristas e organizações criminais, com respaldo internacional. Os EUA recusaram há 15 dias proposta brasileira de acordo bilateral neste sentido.

Antes da reunião de Figueiredo com Rice, o porta-voz da Casa Branca, Jim Carney, lembrou que Obama já conversou com Dilma sobre o tema, em São Petersburgo, na Rússia, durante a reunião do G-20, semana passada, mas que os EUA realizam atividades de Inteligência semelhantes a de todos os principais países.

Inicialmente, Figueiredo iria viajar nesta quarta para Nova York, mas decidiu permanecer em Washington depois do cancelamento de seu trem. No fim da noite, a embaixada do Brasil informou que o ministro de Relações Exteriores teria nova rodada de conversas sobre a espionagem americana com autoridades do governo Obama. Não foram fornecidos detalhes dos encontros.

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