sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Instituto de Aeronáutica e Espaço inicia em 2014 uma bateria de testes do Foguete VLS



Carro chefe do Programa Espacial Brasileiro, o Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), recebe os propulsores e todos os sistemas necessários para a retomada de testes a partir do segundo semestre de 2014. Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) em São José dos Campos (SP), o veículo depois de pronto, embarca em um avião Hércules para o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, onde uma nova plataforma o espera. Depois do acidente em 2003, o projeto passou por uma revisão crítica e a expectativa agora, é a interligação na nova torre móvel de lançamento com o veículo.

Os futuros lançamentos serão realizados com sistemas de comando e controle interligados por fibra ótica e com sistema digital de disparo. A torre móvel de 33 metros de altura é automatizada e totalmente protegida contra descargas elétricas. Uma torre de fuga e evasão pressurizada, o que evita invasão de fumaça em caso de incêndio, também foi construída ao lado o que reforça as medidas de segurança. “Estamos equiparados aos centros mais modernos do mundo” , atesta o engenheiro José Alano Perez Abreu, que trabalha a 29 anos no projeto brasileiro é já participou de treinamentos em Kourou, na Guiana Francesa e Esrange, na Suécia.

Para lançar um satélite brasileiro, de uma plataforma brasileira em território nacional, o Brasil já investiu cerca de 150 milhões de reais no projeto do VLS-1. O montante leva muitos a se perguntarem: Por que, afinal, o país precisa de um programa espacial brasileiro? “Porque isto fortalece nossa soberania”, responde o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, acostumado a enfrentar o questionamento toda vez que fala em público. Do GPS que nos orienta nas cidades, das nossas conversas ao celular às informações sobre a previsão do tempo, quase tudo depende de satélites. Hoje o Brasil paga pelo serviço.

Para o gerente do VLS-1, Tenente-Coronel Engenheiro Alberto Walter da Silva Mello Júnior, o Programa Espacial traz vários benefícios para o país. Foi por meio dele, exemplifica, que o Brasil domina hoje a tecnologia de produção de aço e material compósito (resina e fibra) de alta resistência, usado na fabricação de pás para geradores de energia eólica. Atualmente o produto é exportado para vários países e tem os Estados Unidos como principais clientes.

Segundo o engenheiro, o VLS-1 possibilitou ainda o desenvolvimento de computadores de bordo e sistemas inerciais para veículos aeroespaciais, considerado um salto tecnológico. “Essa é uma tecnologia sensível que ninguém vende e ninguém ensina a fazer; ou se adquire o conhecimento por meios próprios ou se paga caro sem nenhuma transferência de know-how”, explica o Tenente-coronel.

Outra vantagem apontada pelo gerente do VLS é o fomento à indústria nacional e à geração de empregos. O veículo lançador tem mais de cinco mil itens fabricados no país. Ao menos 50 empresas participam diretamente do processo de construção.

Para os pesquisadores, o VLS é um demonstrador de conceito. “Cada vez que testamos e qualificamos um item, isto indica que ele estará pronto para ser empregado em novas gerações de foguetes”, diz o Tenente-Coronel Alberto. Hoje, o Brasil exporta veículos suborbitais que utilizam tecnologias do VLS-1. Nos últimos 10 anos, foram realizados 20 lançamentos de foguetes das famílias VS-30 e VS-40, a partir da Suécia e da Noruega, com ganho de 2,8 milhões de euros para o Brasil. Os dois modelos de foguetes realizam experimentos em microgravidade e de reentrada atmosférica.

A eficácia desses veículos e de toda a infraestrutura e conhecimentos adquiridos com o VLS-1, aliás, abriu caminho para que brasileiros e alemães firmassem uma parceria para desenvolver o Veículo Lançador de Microsatélites (VLM-1), um projeto que visa atender a um nicho de mercado ainda inexplorado no mundo.

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